sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um estranho no ninho e o patinho feio

O que é que faz alguém ser um estranho no ninho em sua própria família?
Que mistério é esse dos pais de certo modo não se reconhecerem naquele rebento?
Será que, na roleta genética, esta específica mistura dos "ingredientes" juntou o que há de mais estranho nos dois parceiros e portanto causa profunda estranheza também em ambos?
Será que o próprio equilíbrio do casal torna mais melindrosa a chegada de um filhote, homem, se a tônica do casal é mais feminina, ou de uma filhota, mulher, se a tônica do casal é mais masculina? Em outras palavras, será que tem famílias que recebem com mais prazer e afinação um filho homem e outras que acolhem com mais amor e compreensão uma filha mulher?
Será também que casais mais velhos, ou mais cansados, com menos energia para viver, não aguentam um filho, homem ou mulher, com vitalidade intensa, e apesar de todo seu amor, vão tolher este filho em quase todos os seus ímpetos vitais?
Mistérios, mistérios, mistérios... E muito sofrimento... Provavelmente dos dois lados: dos pais, que vão se sentir ao mesmo tempo incomodados e incompetentes, e do filho, que vai crescer feito uma "criança selvagem", sem as lambidas, as palavras e os olhares amorosos que costumam acompanhar as maternas e paternas orientações e broncas...

Bem, mas o primeiro ato da peça termina o dia em que o filho, a filha, resolve enxergar-se não mais como o eterno estranho no ninho, mas sim como o patinho feio da história, que precisa encontrar sua verdadeira espécie, sua família, sua tribo, na qual se sentirá pertencer, se sentirá lambido e abraçado, falado e ouvido, olhado e aceito, amado enfim... Este segundo ato da peça pode ser longo, pois será necessário um árduo trabalho interno, de demolição e reconstrução, de metamorfose, e, em paralelo e em perpendicular, como num tear, um esforçado trabalho externo para, apesar de todas as dificuldades, tecer novos laços, relações de outra qualidade... Para tomar a medida das dificuldades, temos que lembrar que ao patinho feio o mundo parece tão ou até mais hóstil que a família, pais e irmãos... No entanto, só existe esta saída, é vital ir para o mundo, e a história não deixa isto claro mas o patinho feio tem que ser corajoso e batalhador ...
Espera-se, no final do segundo ato, que nosso patinho feio já tenha encontrado alguns cisnes, ou, tirando a idéia de superioridade, alguns patos mais afinados com ele mesmo, e que seu sofrimento já se faça mais suave, embora assombrações do primeiro ato ainda estejam perseguindo-o...
É no terceiro ato que chega o momento de libertar-se dos fantasmas, pois por mais que nosso passado seja parte fundamental de nós, assim como nosso futuro, nossa tônica está no roteiro presente, no agora e aqui. É neste momento que o filho entende, ou se convence racional e deliberadamente, meio que tomando uma decisão enfim, que tudo não passou de um equívoco, que não foi o amor que faltou aos pais, mas sim algum entendimento, ou alguma sensibilidade maior ao diferente, ao estranho... O feliz final deste terceiro e último ato traz, junto com a compreensão e a libertação do filho, o florescimento exuberante deste.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ABANDONO

Coitadinho do blog abandonado por quase um ano...
E ainda estou bem longe de ter contado as 1001 borboletas..




Neste quase um ano, será que minhas borboletas voaram para outros blogs mais bem cuidados?
Ou será que as lagartas ficaram aguardando meu verão serenamente em seus casulos?Quero crer nesta última hipótese...
Até breve!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Devaneio


o Homem?
o homem?
um homem?
dois homens?
alguns homens?
vários homens?
diversos homens?
muitos homens?
a maioria dos homens?
quase todos os homens?
todos os homens?
o Homem?
eu?
tu?
você?
ele?
ela?
nós?
vocês?
eles?
elas?
Enfim...
Contam que muito tempo atrás, quando só existiam homens, viveu um homem que tinha por nome Platão. Contam ainda que foi ele que criou o Homem..
Ele também criou o Bem, a Verdade, o Conhecimento, e muitas outras Coisas.
Ele não sabia o quanto este seu Homem, bem como estas outras Coisas, iam fazer sofrer os homens... Eu, e você, e ela e ele, todos, ou quase...

ps: que grande pena que a língua portuguesa não tenha um equivalente ao "anthropos" grego, que era nome para mulher e para homem, pois havia palavra para o macho "aner" e para a fêmea "gyne", paciência... Isso porque sou mulher...
ps2: "devaneio" quer dizer "sem rigor"...

domingo, 27 de março de 2011

Baixando a bola da voracidade energética...









O recente desastre japonês reafirmou que a energia nuclear, apesar de ser a mais produtiva de todas e aparentemente limpa para quem não mora ao lado de uma usina nuclear e não se preocupa com o destino do lixo radioativo e quando está tudo bem, é na realidade uma terrível ameaça.




Pois um dia chega em que não está tudo bem: um tremor de terra, uma falha humana, um imprevisto enfim, e logo a radioatividade solta aterroriza as populações próximas e não tão próximas...


Na realidade, não tenho muito a dizer sobre o assunto. Aliás, tenho a cada dia menos a dizer sobre muitos assuntos.


A única coisa que tenho a dizer é que penso que já há algum tempo chegou a hora de reduzirmos nosso consumo de energia, individual, coletivo, nacional, industrial, enfim, chegou a hora de baixarmos nossa bola consumista.


Redução de necessidade, redução de produção, redução de risco.


Teremos a consciência mais leve e isso é muito bom.

Gente!!!! Pasmem!!! A imprensa foi inventada na Coréia!!!


Pois é, Gutenberg é famosíssimo entre nós como o inventor da imprensa NO MUNDO, um marco na história da humanidade, no entanto o Oriente, Coréia e China, já estavam usando xilografia há vários séculos e caracteres metálicos móveis há algum tempo... O que Gutenberg fez foi usar especificamente o chumbo para os caracteres móveis, uma nova tinta e elaborar uma prensa diferente, enfim, apenas refinou técnicas cujos princípios já existiam, só que no Oriente, não no Ocidente...

Vejam o link www.typographie.org/gutenberg/coree/coree_0.html , bem como outro texto http://http//www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/gutenberg_nao_inventou_a_imprensa_imprimir.htmle espantem-se comigo do quanto o Ocidente ainda é "egocêntrico" e "metido"!!!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

MALUQUICES...

Descartes brincou - brincadeira meio paranóica!- que havia um gênio maligno sempre empenhado em enganarnos.
Outro pensador, um professor de filosofia brasileiro, imagina que, de repente, podemos não passar de cérebros em cubas ligados a um computador.

O filme Matrix nos pensa, num futuro não tão distante, sendo, na vida real, gado criado por supercomputadores para produzir a energia de que precisam, mas tendo a ilusão, via um superprograma dos mesmos supercomputadores, de uma vida muito parecida com a que vivemos hoje.

Que seja! Que a realidade seja essa, uma dessas três possibilidades!

Digo: tanto faz...

Pois, ainda assim, não seria com isso, mundo manipulado por gênio maligno, computador, supercomputador, que temos, que teríamos de lidar?

Mas talvez este pensamento, dos mais pragmatistas, seja apenas a expressão de certo cansaço no final de semestre, e no quase final de graduação... Ou, muito mais grave para uma estudante de filosofia, de total falta de sensibilidade filosófica!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA...


Pois é, muito recentemente, assisti um minicurso muito interessante sobre Hannah Arendt e mais precisamente sobre seu livro "A condição humana". O professor, também muito interessante, falou em vários momentos que tinha de se tomar cuidado para não considerar como iguais coisas diferentes e que este comportamento caracterizaria a falta de sensibilidade filosófica. Ele resumia esta atitude de, na fala popular, colocar no mesmo saco farinhas diferentes, com o dito popular bastante divertido "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"...
Sim, mas será que a filosofia não tem feito isso durante séculos, colocar no mesmo saco farinhas diferentes? Ao tentar abstrair da realidade todas as particularidades -mas, de fato, escolhendo e privilegiando algumas destas-, ao distinguir categorias e espécies, ao enunciar leis universais, não foi isso que a filosofia, e sua filha, a ciência, fizeram, reduzir a multiplicidade das coisas do mundo, simplificar a complexidade, ordenar a confusão?

De fato, a arte é pisar com delicadeza na corda-bamba tensa entre a diversidade e a unidade , entre as diferenças e as semelhanças, entre os seres e as coisas não-humanas do mundo e o mundo como totalidade, entre eles, os bárbaros, e nós, todos os humanos, entre o outro e eu...
Então, sim, claro, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" mas também, tudo são coisas, tudo é um, pelo simples fato de existir, todas as farinhas juntas no mesmo e imenso saco que é o mundo...

domingo, 7 de novembro de 2010

A PRIMAVERA CHEGOU!!!

Sim, eu sei, muita gente está pouco se lixando, mas, é de verdade, é importante, A PRIMAVERA CHEGOU!!!
A primavera chegou: eu a vi na Centenário!!!
Sim, lá tem umas árvores frondosas, carregadas de lindas flores amarelas, suspeito que sejam ipês amarelos, mas só um conhecedor para confirmar e afirmar... Enfim, as flores vão caindo formando um belíssimo tapete amarelo pelo chão, e deixando-me encantada!!!




Sim, adoro vê-las cairem levadas pelo vento, tão amarelas, tão delicadas, tão leves e tão finas, tão tudo, e ficam deitadas na grama, como que repousando...





Dia de Domingo e feriado fica ainda mais bonito, pois os garis que varrem os caminhos da Centenário estão de folga, eu acho, e então o tapete amarelo se estende e fica mais cheio, um arraso!





Tem outras árvores, parecidas, só que com flores rosas -será que são ipês rosas, ou roxos?-, aí o tapete pelo chão é rosa claro, e lindo também!!!



















Também tem as famosas - famosas porque essas eu já sei o nome!!!- sibipirunas, com suas espigas de flores por cima das folhas, parecendo lanças amarelas, demais!!!


















E muitas outras mais, que valem, e muito, um passeio, uns olhares, uns cheiros!!!
Aproveitemos, a primavera chegou, e dura pouco!!!
Beijos floridos para vocês!!!

domingo, 12 de setembro de 2010

Quero O Pequeno Príncipe do Brasil!!!


Sim, precisamos de uma tradução em português do Brasil do Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupéry!!! Peço mil desculpas e grande perdão ao Dom Marcos Barbosa, o monge beneditino escritor que fez a tradução portuguesa que lemos até hoje, mas NÃO DÁ!!!

NÃO DÁ, NÃO DÁ, NÃO DÁ!!!

Não dá porque o texto em francês é escrito numa linguagem simples, despretenciosa, de acesso fácil para qualquer jovem francófono, ao passo que o texto português é rebuscado, na norma da língua portuguesa falada em Portugal, o que o torna distante... O texto do Saint-Exupéry é um texto próximo, um texto intimista, um desabafo, uma fábula para todos...

Enfim, gosto muito do Pequeno Príncipe, há muito tempo, e digo: quero O Pequeno Príncipe do Brasil!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

Florestas

Sim, acreditem se quiserem, é bobagem, é maluquice, é loucura, mas é: a nova Centenário é minha floresta!!! Caminho lá na verde companhia das árvores, me regozijo com sua altura, com sua firmeza, com sua beleza, e fico com a alma mais leve!

Moral deste breve porém apaixonado desabafo:
floresta, cada um tem a que pode!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ÁRVORES

O sol nas árvores
Verde brilho
Por baixo, a sombra

O vento nas folhas
Verde leveza
No ouvido, o canto

Mangueiras em flor
Verde cheiro
No chão, pétalas

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

BORBOLETAS...


Tem leves borboletas de papel crepon para enfeitar o quarto...
Tem graciosas borboletas de plástico colorido para prender mensagens...
Tem brilhantes borboletas de metal para colocar no painel...
Tem blusas e meias de borboletas, cadernos e canetas de borboletas, brincos e colares de borboletas, óculos e velas de borboletas...
Enfim, nas lojas, tem borboletas fabricadas para todos os gostos e todos os bolsos...


É porque as borboletas, as borboletas de verdade, as borboletas vivas, são lindas, são belas, são encantadoras, mesmo...











Ou talvez eu deva dizer "porque as borboletas ERAM lindas"...
Porque quase não há mais borboletas...
Porque estamos matando as borboletas...

Como estamos matando as abelhas...
Como estamos matando os ursos...
Como estamos matando os elefantes...
Como estamos matando as baleias...
Como estamos matando e já matamos tantos outros seres...
Como estamos desfigurando e já desfiguramos "nosso" belo planeta...


















Como o planeta permitiu isso?
Como o planeta permitiu que nós, pequenos homens, nos tornássemos tão mortíferos?
Porque o planeta não se defendeu?




Porque o planeta não se defende e não se livra dos homens como nosso próprio corpo humano se livra naturalmente de uma doença?
O aquecimento global bem poderia ser a febre que vem vindo, no ritmo do planeta Terra, para eliminar estes pequenos seres peçonhentos que somos...

domingo, 9 de agosto de 2009

GENTE, SOU FRANCESA!!!

Pois é, demorei, mas agora, eu já sei, sou francesa, e vou contar como descobri...


Deixei Paris há mais de 23 anos, achando tudo um saco, mesmo achando a cidade linda, maravilhosa, deslumbrante, mas não conseguia achar meu lugar alí, ou fazer meu lugar, enfim, dá no mesmo, sentia-me uma estranha no ninho...



Passo os detalhes, que sempre são muitos, e alguns muito interessantes, o mais interessante das histórias talvez, mas enfim, passo, deixei Paris para o Brasil, e as circunstâncias fizeram que Salvador fosse a cidade.

Na época, deslumbrei-me , não tanto com a cidade, que também é linda - podia ser muito mais linda, mas muito mais mesmo!- mas com o jeito de suas pessoas: pela primeira vez na vida - e eu já estava na casa dos 20, encaminhando-me para a próxima casa-, pela primeira vez, me senti fazer parte de qualquer coisa comum aos humanos!
Foi uma revelação, lembro-me de ter escrito isso em todas as longas cartas para os amigos, e era assim: pela primeira vez, senti que todos os humanos, mesmo com todas as suas diferenças ou peculiaridades pessoais, estavam todos em um mesmo barco, e eu também estava no barco, e foram os brasileiros, os baianos, que me fizeram sentir isso!
Na prática, como era isso? Muito simples, como é até hoje: aqui, aqui no Brasil, pois experimentei outras cidades de Norte a Sul, você pode falar com qualquer um, na rua, no ponto de ônibus, no elevador - salvo o elevador do prédio onde moro, pois lá moram pessoas que pensam que o barco delas é outro, certamente mais rico, vai ver algum cruzeiro transatlântico!!!-, na sala de espera, na fila do banco ou do mercado, enfim, parece que não é nada, mas para mim, foi tudo! E até hoje é, apesar da violência que tem assolado Salvador de uns 3 ou 4 anos para cá, e que tem entristecido muito a vida por aqui...
Bem, isto é ponto pacífico, o Brasil ensinou-me que eu era gente, que eu pertencia, ou, ao menos, me confirmou isso, pois era algo que eu sentia profundamente quando morava em Paris, mas tão poucos parisienses confirmaram que não foi suficiente...
Passaram-se os anos, os amores, os trabalhos, e aconteceu que uns dois anos atrás, viajei à França com meus filhotes, "para ver minha mãe no interior", como gosto de brincar para tentar comunicar que a viagem à França para mim está longe de ser tão exótica como o seria para um brasileiro da gema! E aconteceu que o tempo de estada em Paris me pareceu curto, curto demais, tantas coisas eu queria ver, tantos passeios, queria ficar mais, e, na hora de sair de Paris para voltar ao Brasil, chorei, chorei mesmo, com a bola na garganta que todo mundo conhece... Que novidade era essa?!?!?! Em todos esses anos, não tinha sentido saudade da França, o pão não me fazia falta nem os queijos nem os vinhos... Na Âmbar, eu gostava de brincar com os turistas quando me perguntavam por que eu tinha deixado a França "Paris me desanimou da França!..."
Tem uma cena do filme "O Piano" da Jane Campion, uma diretora neozelandesa, que eu gosto muito: é uma cena, lá quase no final do filme, em que a moça que é a personagem principal do filme coloca seu pé dentro das cordas de seu piano que vai ser jogado em alto mar, mas acontece que, quando ela já está sendo arrastada irremediavelmente pela corda para morrer afogada no fundo do mar, um ímpeto de vida, que ela não suspeitava mesmo, a faz livrar-se de sua botina para livrar-se da corda! Ela então soube novamente para a superfície da água e podemos ouvir sua voz gritando de espanto "What a death!... What a chance!... What a surprise!... My will chose life!...", em português "Que morte!... Que destino!... Que supresa!... Minha vontade escolheu a vida!..."
Por que contei isso? Porque foi uma supresa tão profunda assim que eu senti quando me apareceu esta dor de deixar Paris, de ficar longe de Paris e da França, não esperava... Esta dor confirmou-se desde então: saudades das estações, dos lugares, das regiões pelas quais já andei, e muita saudade mesmo dos lugares de Paris... Os parques, as ruas, os edifícios antigos, o Sena, as pontes, os monumentos às suas margens, e também, poder ir e vir mais em paz do que por aqui, poder fazer um pique-nique no gramado de um jardim...


Sim, poder fazer pique-nique é essencial pois os franceses são uma grande dinastia de farofeiros, é farofa de pai para filho, a Disney de Paris quase foi à falência por causa disso, os restaurantes não andavam, todos os visitantes franceses levavam seus sanduíches, e ainda devem levar, eu mesma levo!
E fazer pique-nique no Parc Monceau, este da foto, é puro prazer!!!
Enfim, descobri que eu sou francesa, mesmo!
Recapitulando: o Brasil me ensinou, ou me confirmou, que eu era humana, passageira da barca dos homens, coisa que a França não tinha conseguido confirmar, ou tinha até recusado, e agora, recentemente, a França me lembrou que eu era francesa, como que cobrando o que era dela afinal...
E agora, José? O que fazer com isso?
Quem souber morre", como fala um cara que eu conheço, e confesso que sempre morro de rir, idiotamente, também reconheço minha idiotice...
Mas enfim, voltando à vaca fria, não louca, nem inglesa, mas sim bem francesa, e sensata, vou ter que cuidar disso...

"CORALINE E O MUNDO SECRETO"

Hoje, vou fazer propaganda para um filme infantil que amei!
Chama "Coraline e o Mundo Secreto", e achei realmente encantador.


A história é envolvente - é uma adaptação de um livro de um famoso chamado Neil Gaiman-, lembra as histórias dos filmes japoneses da "Viagem de Shihiro" e do "Castelo Animado", ou seja, nada de água com açúcar da Disney e outras grandes casas de filmes infantis de animação. Tem momentos assustadores, mesmo, mas - psicólogos e outros psicanalistas concordam nisto-, como no final tudo se resolve, podem ficar tranquilos, seus pirralhos não vão ficar traumatizados com o filme, os meus adoraram, como adoraram "a Viagem de Shihiro", quando viram, e eram bem menores do que são hoje!
Os personagens são bem "plantados", bem colocados, convencem mesmo, todos eles.
A música é melodiosa e o visual é refinadíssimo!!!
Mas, mas, mas, o que vocês também precisam ver é o making off de Coraline!!!
É UMA LOUCURA!!!
É uma loucura pois o filme é feito por uma técnica que chama "stop-motion" e, resumindo, é assim: fabricam vários sofisticadíssimos bonecos para os personagens -estrutrura metálica articulada, cobertura de silicone super-flexível, roupinhas sob medidas e por aí vai!- e estes bonecos vão ser manipulados por profissionais que vão tirar fotos de todas as posições necessárias para fazer o filme!!!
Traduzindo, aos milhares de desenhos realizados para os desenhos animados tradicionais, anteriores ao advento do computador, correspondem, nesta técnica, milhares de fotos!!! Os milhares de desenhos, já era loucura, mas deste jeito, fica ainda mais trabalhoso, mais profissionais envolvidos, mais técnicas, mais materiais, enfim, mais loucura!!!
Confesso que eu fiquei impressionadíssima por esta descoberta e ainda estou na dúvida se tendo mais para pensar que é loucura técnica ou se é artesanato moderníssimo, pois tem muitos artistas/artesãos trabalhando no filme!!!
O diretor do filme, um famoso chamado Henry Selick, argumenta que é graças a esta realidade dos bonecos e dos cenários, graças a este requintado artesanato humano, que o filme tem a realidade que tem, antes e além da qualidade plástica.
Não sei se é bem assim, mas o fato é que o filme realmente encanta!
Enfim, o convite está feito:
"CORALINE E O MUNDO SECRETO"
Aluguem, ou comprem logo, vale a pena,
e assistam, com seus filhos, para quem tem filhos!

PS: No Youtube, vocês encontram vários trechos do filme.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

NOVAS MANDALAS E VELHA BANDEIRA DO MEU CORAÇÃO...


Hoje, quase que só imagens...








Para lembrar que reciclar é preciso, que reusar é preciso, mas que o ideal seria não produzir tanto, não consumir tanto, não desperdiçar tanto...











E dizer, e mostrar, que, enquanto esta febre não baixar, farei mandalas de tampinhas de refris...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

GRAVÍSSIMA PERGUNTA...

Teve uma época, já um tanto distante, em que não se sabia que certas coisas eram nocivas para a vida na terra.
Quando falo "certas coisas", penso nos hoje chamados agrotóxicos, nos dejetos de algumas indústrias, em muitos medicamentos alopáticos, nos gases de escapamentos de carros e outros veículos, nos cigarros -os fumantes que me perdoem...-, nos conservantes alimentares e outros corantes, etc. Etc pois com certeza esqueci alguns...
Quando falo "vida na terra", penso nas nuvens, nas águas, nas terras, nas pedras, nos verdes, nos bichos e nos homens. Acho que não esqueci de ninguém!...
Não se sabia que essas coisas eram nocivas para a vida na terra porque esta nocividade é invisível.
Mas aos poucos, com a ocorrência de mortes, malformações, doenças e distúrbios, tornou-se evidente que todos esses produtos eram perigosos, alguns até letais.
Minha pergunta é: enquanto não sabíamos que todos estes produtos eram nocivos, eu entendo que fossem usados por nós, mas agora que sabemos, e isso já faz tempo, por que ainda estão sendo usados e, ainda por cima, usados maciçamente?!?!??!?!??!?!??!
Quem tiver uma ponta de resposta, me diga!
A quem vier me falar em dinheiro, vou dizer que não, que não é possível que se coloquem na balança mortes, malformações, doenças e distúrbios de um lado e dinheiro do outro!
OU ENTÃO FICAMOS LOUCOS!
LOUCOS E PERIGOSOS!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PASCAL REVISITADO...

Recentemente, um professor nosso citou a chamada "aposta de Pascal". Fui ao texto dos Pensamentos de Pascal mas não estudei, ainda assim vou me atrever a dizer o que foi essa aposta, espero não fazer muita barbeiragem filosófica.
Pascal, Blaise para os íntimos, foi um filósofo francês do século XVII. Não entrarei muito nos detalhes, mas o ceticismo estava à solta, de mãos dadas com o ateísmo.
Na época, da observância das regras religiosas durante a vida terrena dependia o merecimento da vida eterna da alma. Pascal acreditava profundamente em Deus mas considerava que não tinha como dar provas cabais da existência de Deus pois a seu ver, tudo que tem a ver com Deus é uma questão de fé.
Pascal então, preocupado com a alma de seus semelhantes ateus e com sua vida eterna, encontrou, para convencê-los, um argumento tão interessante que ficou famoso até hoje como a "aposta de Pascal".
Apostemos, disse ele, que Deus existe e levemos então uma vida terrena na observância dos princípios religiosos. Na hora de nossa morte, se Deus realmente não existir, tudo bem, nossa alma não terá vida eterna, não teremos perdido nada e ainda teremos levado uma vida virtuosa. Mas se Deus realmente existir, então teremos merecido a vida eterna de nossa alma! Mesmo com dúvida, vale a pena investir! Afinal de contas, não é tão difícil assim ser virtuoso...
Pois então, com toda a modéstia, estou propondo para o momento atual uma aposta parecida: ninguém pode dar provas cabais de que o mundo tenha algum sentido e, embora a descrença esteja à solta, ninguém tampouco pode garantir que ele não tenha nenhum.
Apostemos então que o mundo tem realmente algum sentido! Teremos tudo a ganhar pois acreditando neste sentido do mundo, por embalo, daremos sentido a nossas vidas que dele se encontram carentíssimas. Ainda por embalo, e por algum efeito "bola de neve", de repente, o mundo que talvez não tivesse sentido antes de nossa aposta, pode vir a ter este sentido que encontramos ou colocamos nele!!!
E tem mais: esta aposta não é para a vida eterna da alma, é para a vida terrena, aqui e agora, a vida em vida! Gostaram?
Então mãos à fé, é só começar!!!...

domingo, 26 de abril de 2009

PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS

O negócio é compartilhar.
Bettelheim, famoso psicanalista norte-americano de origem austríaca, escreveu em uma nota de rodapé na página 108 de sua interessantíssima "Psicanálise dos Contos de Fadas" -recomendo a leitura, nem que seja em diagonal-:
"Dar aos processos interiores nomes em separado -id, ego, superego- transformou-os em entidades, cada uma com suas próprias propensões. Quando consideramos as conotações emocionais que esses termos abstratos da psicanálise têm para a maioria das pessoas que os usa, começamos a perceber que essas abstrações não são tão diferentes assim das personificações do conto de fadas. Quando falamos do anti-social e irracional id empurrando o fraco ego, ou do ego obedecendo às ordens do superego, esses símiles científicos não são muito diferentes das alegorias do conto de fadas. Neste, a criança pobre e fraca se defronta com a poderosa bruxa que conhece apenas seus próprios desejos e age segundo eles, sem ligar para as consequências. (...)
Muitos erros de compreensão de como nossas mentes funcionam poderiam ser evitados se o homem moderno se mantivesse sempre consciente de que esses conceitos abstratos não são mais do que instrumentos convenientes para manipular idéias que, sem tal exteriorização, seriam muito mais difíceis de serem compreendidas. Na realidade, não há, é claro, nenhuma separação entre eles, assim como não há efetivamente nenhuma separação entre corpo e mente"
O grifo é meu...

O que mais me encantou na leitura da "Psicánalise dos contos de fadas"?
A idéia central do livro, seu refrão.
E a idéia é essa: que um conto, ou melhor, contos, fazem o jovem ouvinte ativo, ao passo que a explicação o faz passivo.
Isso porque a explicação é fechada em si, é didática, pretende saber, pretende ensinar uma solução já pronta, preparada por outra(s) pessoa(s). O conto, por sua vez, é aberto para uma busca pessoal de quem escuta a história, para toda e qualquer interpretação, que pode inclusive, e vai, ser diversa a cada escuta.
Esta idéia central é ilustrada e declinada ao longo do livro e, por conta desta essencial diferença, Bettelheim considera que os contos de fadas são o que há de mais apropriado para as crianças construírem inconscientemente seu equilíbrio psíquico.

Bem, logo eu, que adoro contos, só podia adorar esta idéia, não é?
E aí, também fiquei matutando se gente grande também não estava precisando de contos, para ativar um pouco a psiquê.
Sabendo que, até pouco tempo atrás no mundo inteiro -e até hoje em alguns lugares deste nosso mundo, lugares onde talvez ainda não haja televisão nem computador-, era costume gente grande, e pequena, se juntar para ouvir "causos", histórias, contos, ouvidos centenas de vezes e sempre repensados.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DEPRESSÃO...

Se a depressão acometesse uma pessoa ou outra, raras, poderíamos dizer que é um problema puramente pessoal, psicológico puro, por assim dizer, mas não é o caso...

Se a depressão atingisse apenas mulheres, ou apenas homens, apenas jovens, ou apenas velhos, apenas pessoas morando em cidades, ou apenas quem mora no campo, apenas os financeiramente abastados, ou apenas os economicamente carentes, apenas pessoas do chamado primeiro mundo, ou apenas as do segundo ou do terceiro, poderíamos dizer que se trata de um problema de gênero, ou de faixa etária, ou socioeconômico, ou regional, mas não é o caso...

A depressão hoje atravessa todos esses grupos que acabamos de citar, ela varre o mundo, de norte a sul e de oeste a leste, cobre gêneros, idades, classes sociais, regiões geográficas, não poupa ninguém...

Por isso temos que pensar hoje a depressão em termos de mal estar mundial.

Temos que pensar em que raios estará faltando neste nosso mundial modelo contemporâneo de vida que esvazia de sentido a existência humana.

Esta é uma tarefa premente e desafiadora.

Esta é uma tarefa de pensadores.

sábado, 21 de março de 2009

O LOGOS...

Pois é, não deu outra, a palavra grega aristotélica que é comumente traduzida por "definição" é "logos", uma palavra das mais importantes, não vou aqui desenvolver nenhuma tese comprida, mas não há dúvida, nada a ver com "delimitar"...
Para muitos, a significação de "logos" limita-se à razão, ao racional, mas para alguns outros, o "logos" é como que o grande princípio orientador de todas as coisas do mundo, de tudo o que existe, a "arché" da "physis", este princípio que era buscado pelos pensadores gregos dos séculos VII e VI a.c... Confesso que, para mim, às vezes fica claro e outras vezes fica bem obscuro mesmo...
Interessante, até mesmo instigante, é observar como a palavra "definido" que, ao nascer, quer dizer "delimitado" vai aos poucos, insensivelmente, mudando de sentido, para chegar a encerrar o sentido de "exato" e/ou "preciso"...
Às vezes, penso que temos palavras demais, que é como se uma única e mesma língua tivesse virado uma pequena Babel pois afinal, tantas origens, tantas misturas, tantas influências, tantos acréscimos acabam criando inúmeros pares de palavras com o mesmíssimo sentido mas caras diferentes, como "transformação", que veio do latim, e "metamorfose" que veio do grego, que ambas querem dizer "mudança de forma", este é um entre milhares de exemplos... Ao lado disso, muitas palavras gregas eram "apenas" flexões verbais ou nominais, mas em português, ou em francês, elas viraram palavras de verdade, ou então passaram a ser introduzidas por preposições, um bocado de palavrinhas intermediárias, ou seja, a língua foi inchando, inchando, bem diferente da cara compacta, enxuta da língua grega. Ia escrever "concentrada" mas esta é outra palavra que foi mudando, e muito, de sentido: na origem, ela nos fala de centro e de ligação com este centro, e, quando olhamos hoje, a palavra também e na maioria das vezes, quer dizer "de alto teor", "de alta densidade"...
Estudando outro dia um texto de Lucrécio, que foi um epicurista romano do século I a.c., surpreendi-me com um comentário do mesmo dizendo que o latim não tinha palavras para falar de coisas abstratas, conceitos, e bebeu muito às fontes gregas para suprir isso que era sentido como uma carência, interessante, não?
Bem, cansei de pensar...