Tem leves borboletas de papel crepon para enfeitar o quarto...
Tem graciosas borboletas de plástico colorido para prender mensagens...
Tem brilhantes borboletas de metal para colocar no painel...
Tem blusas e meias de borboletas, cadernos e canetas de borboletas, brincos e colares de borboletas, óculos e velas de borboletas...
Enfim, nas lojas, tem borboletas fabricadas para todos os gostos e todos os bolsos...
É porque as borboletas, as borboletas de verdade, as borboletas vivas, são lindas, são belas, são encantadoras, mesmo...
Ou talvez eu deva dizer "porque as borboletas ERAM lindas"...
Porque quase não há mais borboletas...
Porque estamos matando as borboletas...
Como estamos matando as abelhas...
Como estamos matando os ursos...
Como estamos matando os elefantes...
Como estamos matando as baleias...
Como estamos matando e já matamos tantos outros seres...
Como estamos desfigurando e já desfiguramos "nosso" belo planeta...

Como o planeta permitiu isso?Como o planeta permitiu que nós, pequenos homens, nos tornássemos tão mortíferos?
Porque o planeta não se defendeu?
Porque o planeta não se defende e não se livra dos homens como nosso próprio corpo humano se livra naturalmente de uma doença?
O aquecimento global bem poderia ser a febre que vem vindo, no ritmo do planeta Terra, para eliminar estes pequenos seres peçonhentos que somos...


Neste ponto, deixo registrada minha angústia: qual será o perigo, para mim, da filosofia? Não voltar da viagem ao centro do tudo por ter descoberto que lá não tinha nada? Não saber mais a diferença entre a descida ao inferno e a subida ao paraíso, entre o bem e o mal, entre o feio e o belo, entre você e eu, entre o vivo e o não vivo? Não saber nem mais o que quer dizer a palavra “diferença”? Ou seja, perder os sentidos ao buscar o Sentido?
Deixo também registrado aqui um receio que tenho quanto ao ensino da filosofia. Os estudantes obviamente precisam tomar conhecimento das obras dos grandes pensadores mas será que a filosofia se resume à história da filosofia? Pois, em momento algum até agora, percebi espaço aberto em sala de aula para discutirmos qualquer idéia própria! Aliás, já ouvi docente dizer em alto e bom tom que ninguém está interessado no que os estudantes pensam: a tarefa seria portanto impregnar-se com pensamentos já confirmados como fundamentais, e só. Então, pergunto: a filosofia é um saber positivo? Estudar filosofia então não passa de uma “decoreba” de conceitos alheios para, no máximo, poder expô-los brilhantemente em um seminário ou em uma tese de mestrado ou doutorado? Minha resposta é um retumbante “Não” pois me parece que, sendo aprendizes-pensadores, não podemos apenas ficar gravando conceitos aristotélicos ou kantianos. No entanto, repito, não se trata de modo algum de descartar estes estudos - nem tanto ao céu nem tanto à terra!-, pois estamos seguros da imensa valia do acesso a outras análises de mundo...
