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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Devaneio


o Homem?
o homem?
um homem?
dois homens?
alguns homens?
vários homens?
diversos homens?
muitos homens?
a maioria dos homens?
quase todos os homens?
todos os homens?
o Homem?
eu?
tu?
você?
ele?
ela?
nós?
vocês?
eles?
elas?
Enfim...
Contam que muito tempo atrás, quando só existiam homens, viveu um homem que tinha por nome Platão. Contam ainda que foi ele que criou o Homem..
Ele também criou o Bem, a Verdade, o Conhecimento, e muitas outras Coisas.
Ele não sabia o quanto este seu Homem, bem como estas outras Coisas, iam fazer sofrer os homens... Eu, e você, e ela e ele, todos, ou quase...

ps: que grande pena que a língua portuguesa não tenha um equivalente ao "anthropos" grego, que era nome para mulher e para homem, pois havia palavra para o macho "aner" e para a fêmea "gyne", paciência... Isso porque sou mulher...
ps2: "devaneio" quer dizer "sem rigor"...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PASCAL REVISITADO...

Recentemente, um professor nosso citou a chamada "aposta de Pascal". Fui ao texto dos Pensamentos de Pascal mas não estudei, ainda assim vou me atrever a dizer o que foi essa aposta, espero não fazer muita barbeiragem filosófica.
Pascal, Blaise para os íntimos, foi um filósofo francês do século XVII. Não entrarei muito nos detalhes, mas o ceticismo estava à solta, de mãos dadas com o ateísmo.
Na época, da observância das regras religiosas durante a vida terrena dependia o merecimento da vida eterna da alma. Pascal acreditava profundamente em Deus mas considerava que não tinha como dar provas cabais da existência de Deus pois a seu ver, tudo que tem a ver com Deus é uma questão de fé.
Pascal então, preocupado com a alma de seus semelhantes ateus e com sua vida eterna, encontrou, para convencê-los, um argumento tão interessante que ficou famoso até hoje como a "aposta de Pascal".
Apostemos, disse ele, que Deus existe e levemos então uma vida terrena na observância dos princípios religiosos. Na hora de nossa morte, se Deus realmente não existir, tudo bem, nossa alma não terá vida eterna, não teremos perdido nada e ainda teremos levado uma vida virtuosa. Mas se Deus realmente existir, então teremos merecido a vida eterna de nossa alma! Mesmo com dúvida, vale a pena investir! Afinal de contas, não é tão difícil assim ser virtuoso...
Pois então, com toda a modéstia, estou propondo para o momento atual uma aposta parecida: ninguém pode dar provas cabais de que o mundo tenha algum sentido e, embora a descrença esteja à solta, ninguém tampouco pode garantir que ele não tenha nenhum.
Apostemos então que o mundo tem realmente algum sentido! Teremos tudo a ganhar pois acreditando neste sentido do mundo, por embalo, daremos sentido a nossas vidas que dele se encontram carentíssimas. Ainda por embalo, e por algum efeito "bola de neve", de repente, o mundo que talvez não tivesse sentido antes de nossa aposta, pode vir a ter este sentido que encontramos ou colocamos nele!!!
E tem mais: esta aposta não é para a vida eterna da alma, é para a vida terrena, aqui e agora, a vida em vida! Gostaram?
Então mãos à fé, é só começar!!!...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

“LIVRO SOBRE NADA” de MANOEL DE BARROS



Foi certa vez um sarau.
No sarau apareceu um poema.
O poema falou comigo.
Desejei provar o livro.
No livro deliciei mais.
Ofereço para vocês
O poema que apareceu
Mais outros belos algos.

O poema que apareceu foi assim.

A ciência pode classificar e nomear todos os órgãos de um sabiá
mas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem
nos encantos de um sabiá.

Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare.

Os sabiás divinam.


Seguem alguns trechos que mais ecoaram em mim.

“Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.”

Adorei isso: "Escutei um perfume de sol nas águas." Lindo demais!

“É no ínfimo que eu vejo a exuberância”
Este na realidade é o último verso de um poema...

"Tem mais presença em mim o que me falta."
Este é como que um aforismo...

E ainda no livro, há uma citação tirada do livro do Padre Antônio Vieira chamado “Paixões humanas” que me tocou.
“O maior apetite do homem é desejar ser. Se os olhos vêem com amor o que não é, tem ser.”

"Nasci para administrar o à-toa
o em vão
o inútil.
Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
de pessoas com rãs
de pessoas com pedras
etc etc.
Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral."


Gostei tanto assim pois casou com inquietações que tenho e que a filosofia avivou...
Das firmes fronteiras que existiriam entre o homem e o animal e o vegetal e o mineral...
Dos cinco sentidos, por que cinco, por que esses, por que não outros, por que cinco caixinhas separadinhas com rótulos bonitinhos, visão, audição, tato, paladar, olfato, mas... Mas o que sinto, o que sou é tão um e não apenas esses!...
Da ciência que acha que tudo sabe e tudo resolve e tudo descobre mas é incapaz de acolher o mundo em sua beleza, fragilidade e força...
Enfim...

É um belo livro e uma leitura cativante!!!

Ps: estou tentando devolver o livro emprestado...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

MERLEAU-PONTY E HUMILDADE

A tempo, ou não...
Acabei de assistir a palestra sobre Merleau-Ponty na Aliança Francesa, cuja primeira parte foi a apresentação, nas grandes linhas, do livro A Fenomenologia da Percepção, pelo professor Monclar Valverde. O pensamento do Merleau-Ponty, ao menos na obra apresentada muito rapidamente, parece extremamente próximo de Ser e Tempo de Heidegger, e aparentemente com mais desdobramentos, ou seja, fantástico, fascinante, empolgante, apaixonante! Então, o que quero falar com humildade, é que, na realidade e de repente, o mundo já tem pensamentos novos e vigorosos, mas talvez precise de mais pessoas compartilhando, dialogando com e sobretudo VIVENDO esses pensamentos novos e vigorosos!!! E quero ser uma dessas!!!

E vai ter um colóquio sobre Merleau-Ponty, de 25 a 29 de Agosto, aqui em Salvador, em São Lázaro para as mesas redondas durante o dia, e na Aliança Francesa à noite para as palestras maiores, tem que fazer inscrição!!! Era isso, vamos!!!

ENCONTRO COM A FILOSOFIA

Há muito eu falava em estudar filosofia, acreditando saber do que estava falando... Isso até um ano e meio atrás, quando me tornei efetivamente estudante do Departamento de Filosofia de nossa conceituada Universidade Federal da Bahia, e lá descobri que, como fala o popular, “o buraco é mais embaixo”. Explico: logo ficou óbvio que o que eu achava ser filosofia, ou seja, uma reflexão mais aprofundada sobre tudo, era apenas a parte visível do iceberg!
Se alguém me pedisse hoje para definir a filosofia – pensem num cara mau!-, eu diria, do alto de três enxutos semestres de estudo até aplicado, que a filosofia me fez rever meu conceito do que é o profundo. A busca filosófica mais me parece hoje uma mineração: ela fica cavando as profundezas de suas questões até não ter mais para onde ir. Aqui, e por ter filhos ainda pequenos com os quais assisti várias vezes o filme O Senhor dos Anéis-, me vem a imagem das entranhas das montanhas onde vive o povo dos Anões, extraindo o ouro e outros metais preciosos mas, ao ultrapassar os limites por ganância, também despertando temíveis criaturas há muito esquecidas...

Neste ponto, deixo registrada minha angústia: qual será o perigo, para mim, da filosofia? Não voltar da viagem ao centro do tudo por ter descoberto que lá não tinha nada? Não saber mais a diferença entre a descida ao inferno e a subida ao paraíso, entre o bem e o mal, entre o feio e o belo, entre você e eu, entre o vivo e o não vivo? Não saber nem mais o que quer dizer a palavra “diferença”? Ou seja, perder os sentidos ao buscar o Sentido?
Ou a filosofia me trará algum alívio? Desde que me entendo como gente, sempre tive pensamentos peculiares, dificilmente compartilháveis e raras vezes compartilhados, enfim, uma forma de ver o mundo diferente, digamos, da forma dominante. Senti nestes últimos meses nascer alguma esperança, a de ter mais alguns companheiros de viagem – de viagens?-, sejam eles os autores de obras ou idéias filosóficas tais como Heráclito, Platão, Nietzsche ou Heidegger ou meus pares nas cadeiras da universidade – não adianta insistir, desses últimos não darei nomes!
Voltando à minha ingênua tentativa de definir a filosofia, eu diria que, além de ser mineração, ela também é lapidação. O filósofo que extrair, do labirinto em várias dimensões que é seu pensamento, uma hipótese, uma idéia, uma teoria, terá, por conta da exigência acadêmica aliada aos questionamentos de seus pares, de fundamentar, esclarecer, refinar este fruto de sua intuição e reflexão até deixá-lo tal qual uma gema preciosa lapidada, brilhando de mil facetas!
Mas vamos deixar por aqui essa história de minas, pedras preciosas e diamantes, senão todos vão começar a pensar que, no Brasil, só mineiro que pode ser filosófo!!! Êta, piada besta!!!

Deixo também registrado aqui um receio que tenho quanto ao ensino da filosofia. Os estudantes obviamente precisam tomar conhecimento das obras dos grandes pensadores mas será que a filosofia se resume à história da filosofia? Pois, em momento algum até agora, percebi espaço aberto em sala de aula para discutirmos qualquer idéia própria! Aliás, já ouvi docente dizer em alto e bom tom que ninguém está interessado no que os estudantes pensam: a tarefa seria portanto impregnar-se com pensamentos já confirmados como fundamentais, e só. Então, pergunto: a filosofia é um saber positivo? Estudar filosofia então não passa de uma “decoreba” de conceitos alheios para, no máximo, poder expô-los brilhantemente em um seminário ou em uma tese de mestrado ou doutorado? Minha resposta é um retumbante “Não” pois me parece que, sendo aprendizes-pensadores, não podemos apenas ficar gravando conceitos aristotélicos ou kantianos. No entanto, repito, não se trata de modo algum de descartar estes estudos - nem tanto ao céu nem tanto à terra!-, pois estamos seguros da imensa valia do acesso a outras análises de mundo...
Mas a filosofia, e portanto seu estudo, não é também, como já ouvi dizer e já li em algum texto também famoso, desenvolver um diálogo com estes pensadores famosos? Resumindo meu receio quanto ao ensino da filosofia: somos preparados para sermos meros repetidores, eruditos estudiosos de obras filosóficas, ou existe alguma esperança de podermos um dia dar à luz pensamentos nascidos do vibrante encontro de pensamentos notáveis com nossas humildes reflexões sobre o mundo contemporâneo?



Pois tenho que deixar claro que minha aventura na filosofia nasceu das questões da contemporaneidade, do mal estar profundo que todos podemos perceber em nós mesmos, ao nosso redor e em todo nosso pequeno e grande planeta. E esta crise aguda parece-me clamar por pensamentos novos e vigorosos, outros modos de conceber a realidade, outras posturas e comportamentos do homem com o homem e com o mundo... O fato é que alguma coisa está podre no reino da humanidade e penso que cabe a nós, humanos, tentar desvendar e enfrentar esta crise com todo nosso empenho antes que seja tarde...
E minha última pergunta por hoje, a pergunta central para mim, é esta:
SERÁ QUE A FILOSOFIA PODE NOS AJUDAR?