A tempo, ou não...
Acabei de assistir a palestra sobre Merleau-Ponty na Aliança Francesa, cuja primeira parte foi a apresentação, nas grandes linhas, do livro A Fenomenologia da Percepção, pelo professor Monclar Valverde. O pensamento do Merleau-Ponty, ao menos na obra apresentada muito rapidamente, parece extremamente próximo de Ser e Tempo de Heidegger, e aparentemente com mais desdobramentos, ou seja, fantástico, fascinante, empolgante, apaixonante! Então, o que quero falar com humildade, é que, na realidade e de repente, o mundo já tem pensamentos novos e vigorosos, mas talvez precise de mais pessoas compartilhando, dialogando com e sobretudo VIVENDO esses pensamentos novos e vigorosos!!! E quero ser uma dessas!!!
E vai ter um colóquio sobre Merleau-Ponty, de 25 a 29 de Agosto, aqui em Salvador, em São Lázaro para as mesas redondas durante o dia, e na Aliança Francesa à noite para as palestras maiores, tem que fazer inscrição!!! Era isso, vamos!!!
Preciso
Há 11 anos

Neste ponto, deixo registrada minha angústia: qual será o perigo, para mim, da filosofia? Não voltar da viagem ao centro do tudo por ter descoberto que lá não tinha nada? Não saber mais a diferença entre a descida ao inferno e a subida ao paraíso, entre o bem e o mal, entre o feio e o belo, entre você e eu, entre o vivo e o não vivo? Não saber nem mais o que quer dizer a palavra “diferença”? Ou seja, perder os sentidos ao buscar o Sentido?
Deixo também registrado aqui um receio que tenho quanto ao ensino da filosofia. Os estudantes obviamente precisam tomar conhecimento das obras dos grandes pensadores mas será que a filosofia se resume à história da filosofia? Pois, em momento algum até agora, percebi espaço aberto em sala de aula para discutirmos qualquer idéia própria! Aliás, já ouvi docente dizer em alto e bom tom que ninguém está interessado no que os estudantes pensam: a tarefa seria portanto impregnar-se com pensamentos já confirmados como fundamentais, e só. Então, pergunto: a filosofia é um saber positivo? Estudar filosofia então não passa de uma “decoreba” de conceitos alheios para, no máximo, poder expô-los brilhantemente em um seminário ou em uma tese de mestrado ou doutorado? Minha resposta é um retumbante “Não” pois me parece que, sendo aprendizes-pensadores, não podemos apenas ficar gravando conceitos aristotélicos ou kantianos. No entanto, repito, não se trata de modo algum de descartar estes estudos - nem tanto ao céu nem tanto à terra!-, pois estamos seguros da imensa valia do acesso a outras análises de mundo...
