sexta-feira, 19 de junho de 2009

NOVAS MANDALAS E VELHA BANDEIRA DO MEU CORAÇÃO...


Hoje, quase que só imagens...








Para lembrar que reciclar é preciso, que reusar é preciso, mas que o ideal seria não produzir tanto, não consumir tanto, não desperdiçar tanto...











E dizer, e mostrar, que, enquanto esta febre não baixar, farei mandalas de tampinhas de refris...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

GRAVÍSSIMA PERGUNTA...

Teve uma época, já um tanto distante, em que não se sabia que certas coisas eram nocivas para a vida na terra.
Quando falo "certas coisas", penso nos hoje chamados agrotóxicos, nos dejetos de algumas indústrias, em muitos medicamentos alopáticos, nos gases de escapamentos de carros e outros veículos, nos cigarros -os fumantes que me perdoem...-, nos conservantes alimentares e outros corantes, etc. Etc pois com certeza esqueci alguns...
Quando falo "vida na terra", penso nas nuvens, nas águas, nas terras, nas pedras, nos verdes, nos bichos e nos homens. Acho que não esqueci de ninguém!...
Não se sabia que essas coisas eram nocivas para a vida na terra porque esta nocividade é invisível.
Mas aos poucos, com a ocorrência de mortes, malformações, doenças e distúrbios, tornou-se evidente que todos esses produtos eram perigosos, alguns até letais.
Minha pergunta é: enquanto não sabíamos que todos estes produtos eram nocivos, eu entendo que fossem usados por nós, mas agora que sabemos, e isso já faz tempo, por que ainda estão sendo usados e, ainda por cima, usados maciçamente?!?!??!?!??!?!??!
Quem tiver uma ponta de resposta, me diga!
A quem vier me falar em dinheiro, vou dizer que não, que não é possível que se coloquem na balança mortes, malformações, doenças e distúrbios de um lado e dinheiro do outro!
OU ENTÃO FICAMOS LOUCOS!
LOUCOS E PERIGOSOS!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PASCAL REVISITADO...

Recentemente, um professor nosso citou a chamada "aposta de Pascal". Fui ao texto dos Pensamentos de Pascal mas não estudei, ainda assim vou me atrever a dizer o que foi essa aposta, espero não fazer muita barbeiragem filosófica.
Pascal, Blaise para os íntimos, foi um filósofo francês do século XVII. Não entrarei muito nos detalhes, mas o ceticismo estava à solta, de mãos dadas com o ateísmo.
Na época, da observância das regras religiosas durante a vida terrena dependia o merecimento da vida eterna da alma. Pascal acreditava profundamente em Deus mas considerava que não tinha como dar provas cabais da existência de Deus pois a seu ver, tudo que tem a ver com Deus é uma questão de fé.
Pascal então, preocupado com a alma de seus semelhantes ateus e com sua vida eterna, encontrou, para convencê-los, um argumento tão interessante que ficou famoso até hoje como a "aposta de Pascal".
Apostemos, disse ele, que Deus existe e levemos então uma vida terrena na observância dos princípios religiosos. Na hora de nossa morte, se Deus realmente não existir, tudo bem, nossa alma não terá vida eterna, não teremos perdido nada e ainda teremos levado uma vida virtuosa. Mas se Deus realmente existir, então teremos merecido a vida eterna de nossa alma! Mesmo com dúvida, vale a pena investir! Afinal de contas, não é tão difícil assim ser virtuoso...
Pois então, com toda a modéstia, estou propondo para o momento atual uma aposta parecida: ninguém pode dar provas cabais de que o mundo tenha algum sentido e, embora a descrença esteja à solta, ninguém tampouco pode garantir que ele não tenha nenhum.
Apostemos então que o mundo tem realmente algum sentido! Teremos tudo a ganhar pois acreditando neste sentido do mundo, por embalo, daremos sentido a nossas vidas que dele se encontram carentíssimas. Ainda por embalo, e por algum efeito "bola de neve", de repente, o mundo que talvez não tivesse sentido antes de nossa aposta, pode vir a ter este sentido que encontramos ou colocamos nele!!!
E tem mais: esta aposta não é para a vida eterna da alma, é para a vida terrena, aqui e agora, a vida em vida! Gostaram?
Então mãos à fé, é só começar!!!...

domingo, 26 de abril de 2009

PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS

O negócio é compartilhar.
Bettelheim, famoso psicanalista norte-americano de origem austríaca, escreveu em uma nota de rodapé na página 108 de sua interessantíssima "Psicanálise dos Contos de Fadas" -recomendo a leitura, nem que seja em diagonal-:
"Dar aos processos interiores nomes em separado -id, ego, superego- transformou-os em entidades, cada uma com suas próprias propensões. Quando consideramos as conotações emocionais que esses termos abstratos da psicanálise têm para a maioria das pessoas que os usa, começamos a perceber que essas abstrações não são tão diferentes assim das personificações do conto de fadas. Quando falamos do anti-social e irracional id empurrando o fraco ego, ou do ego obedecendo às ordens do superego, esses símiles científicos não são muito diferentes das alegorias do conto de fadas. Neste, a criança pobre e fraca se defronta com a poderosa bruxa que conhece apenas seus próprios desejos e age segundo eles, sem ligar para as consequências. (...)
Muitos erros de compreensão de como nossas mentes funcionam poderiam ser evitados se o homem moderno se mantivesse sempre consciente de que esses conceitos abstratos não são mais do que instrumentos convenientes para manipular idéias que, sem tal exteriorização, seriam muito mais difíceis de serem compreendidas. Na realidade, não há, é claro, nenhuma separação entre eles, assim como não há efetivamente nenhuma separação entre corpo e mente"
O grifo é meu...

O que mais me encantou na leitura da "Psicánalise dos contos de fadas"?
A idéia central do livro, seu refrão.
E a idéia é essa: que um conto, ou melhor, contos, fazem o jovem ouvinte ativo, ao passo que a explicação o faz passivo.
Isso porque a explicação é fechada em si, é didática, pretende saber, pretende ensinar uma solução já pronta, preparada por outra(s) pessoa(s). O conto, por sua vez, é aberto para uma busca pessoal de quem escuta a história, para toda e qualquer interpretação, que pode inclusive, e vai, ser diversa a cada escuta.
Esta idéia central é ilustrada e declinada ao longo do livro e, por conta desta essencial diferença, Bettelheim considera que os contos de fadas são o que há de mais apropriado para as crianças construírem inconscientemente seu equilíbrio psíquico.

Bem, logo eu, que adoro contos, só podia adorar esta idéia, não é?
E aí, também fiquei matutando se gente grande também não estava precisando de contos, para ativar um pouco a psiquê.
Sabendo que, até pouco tempo atrás no mundo inteiro -e até hoje em alguns lugares deste nosso mundo, lugares onde talvez ainda não haja televisão nem computador-, era costume gente grande, e pequena, se juntar para ouvir "causos", histórias, contos, ouvidos centenas de vezes e sempre repensados.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DEPRESSÃO...

Se a depressão acometesse uma pessoa ou outra, raras, poderíamos dizer que é um problema puramente pessoal, psicológico puro, por assim dizer, mas não é o caso...

Se a depressão atingisse apenas mulheres, ou apenas homens, apenas jovens, ou apenas velhos, apenas pessoas morando em cidades, ou apenas quem mora no campo, apenas os financeiramente abastados, ou apenas os economicamente carentes, apenas pessoas do chamado primeiro mundo, ou apenas as do segundo ou do terceiro, poderíamos dizer que se trata de um problema de gênero, ou de faixa etária, ou socioeconômico, ou regional, mas não é o caso...

A depressão hoje atravessa todos esses grupos que acabamos de citar, ela varre o mundo, de norte a sul e de oeste a leste, cobre gêneros, idades, classes sociais, regiões geográficas, não poupa ninguém...

Por isso temos que pensar hoje a depressão em termos de mal estar mundial.

Temos que pensar em que raios estará faltando neste nosso mundial modelo contemporâneo de vida que esvazia de sentido a existência humana.

Esta é uma tarefa premente e desafiadora.

Esta é uma tarefa de pensadores.

sábado, 21 de março de 2009

O LOGOS...

Pois é, não deu outra, a palavra grega aristotélica que é comumente traduzida por "definição" é "logos", uma palavra das mais importantes, não vou aqui desenvolver nenhuma tese comprida, mas não há dúvida, nada a ver com "delimitar"...
Para muitos, a significação de "logos" limita-se à razão, ao racional, mas para alguns outros, o "logos" é como que o grande princípio orientador de todas as coisas do mundo, de tudo o que existe, a "arché" da "physis", este princípio que era buscado pelos pensadores gregos dos séculos VII e VI a.c... Confesso que, para mim, às vezes fica claro e outras vezes fica bem obscuro mesmo...
Interessante, até mesmo instigante, é observar como a palavra "definido" que, ao nascer, quer dizer "delimitado" vai aos poucos, insensivelmente, mudando de sentido, para chegar a encerrar o sentido de "exato" e/ou "preciso"...
Às vezes, penso que temos palavras demais, que é como se uma única e mesma língua tivesse virado uma pequena Babel pois afinal, tantas origens, tantas misturas, tantas influências, tantos acréscimos acabam criando inúmeros pares de palavras com o mesmíssimo sentido mas caras diferentes, como "transformação", que veio do latim, e "metamorfose" que veio do grego, que ambas querem dizer "mudança de forma", este é um entre milhares de exemplos... Ao lado disso, muitas palavras gregas eram "apenas" flexões verbais ou nominais, mas em português, ou em francês, elas viraram palavras de verdade, ou então passaram a ser introduzidas por preposições, um bocado de palavrinhas intermediárias, ou seja, a língua foi inchando, inchando, bem diferente da cara compacta, enxuta da língua grega. Ia escrever "concentrada" mas esta é outra palavra que foi mudando, e muito, de sentido: na origem, ela nos fala de centro e de ligação com este centro, e, quando olhamos hoje, a palavra também e na maioria das vezes, quer dizer "de alto teor", "de alta densidade"...
Estudando outro dia um texto de Lucrécio, que foi um epicurista romano do século I a.c., surpreendi-me com um comentário do mesmo dizendo que o latim não tinha palavras para falar de coisas abstratas, conceitos, e bebeu muito às fontes gregas para suprir isso que era sentido como uma carência, interessante, não?
Bem, cansei de pensar...

quinta-feira, 19 de março de 2009

PENSANDO NA DEFINIÇÃO

Este devaneio será apenas um começo de uma reflexão.
"De-fini-ção", "de-termina-ção" são palavras que inicialmente expressaram a vontade de fixar o fim, o término, ou seja, os limites das coisas, e das palavras correspondentes.

Segundo o dicionário francês Le Petit Robert, o Robertinho para os íntimos, a palavra "définir" aparece por volta de 1100 e vem do latim "definire"
Pretendo em seguida pesquisar, com a ajuda de Aristóteles, qual palavra grega antiga é normalmente traduzida por "definição", mas, lembrando vagamente algum estudo da Metafísica, aposto, desde já, que mesmo em Aristóteles, esta palavra grega antiga nada tem de limites, lembro-me de algo como "o que se fala sobre", o que seria bastante distante de "definir"...

Mas enfim, o que as palavras "definir", "determinar" me evocam seria que, ao tentar enxergar e fixar os limites, a extensão, de uma coisa e da uma palavra correspondente, neste mesmo e exato movimento, aprisionamos tanto esta coisa quanto esta palavra, as engaiolamos, as congelamos, as petrificamos, as matamos de certo modo... Loucura minha este pensamento?...

Mas a língua é viva. Quem tem um mínimo de carinho com a língua sabe o quanto ela muda, o quanto ela pode ser séria e brincalhona, o quanto ela diz umas coisas e cala outras, enfim, viva, ela é viva.

E será que não é loucura querer encaixotá-la em dicionários e gramáticas? Será que não é fazer de conta que ela não muda a cada instante, em cada lugar, a cada fala, ela se reinventa, como o mundo? Será que dicionários e gramáticas não são de certo modo os caixões deste vigor da língua?

Volto em breve para contar da palavra grega antiga que foi posterior e geralmente traduzida por "definição"...
Assinado: A coruja louca